VERTICALIZAR.
Este trabalho fotográfico busca usufruir de uma rotina incessantemente repetitiva e cerrada em si. Materializa-se verticalmente no subir das escadas na torre E, atribuída ao terceiro ano da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP). Uso da minha própria alienação arquitetônica como objeto de estudo fotográfico para a formação contínua -Fotografia como Instrumento de Interpretação e Representação da Arquitetura e Espaço Urbano- quando me separo do inteiro da cidade, e vivo em um constante entrar e sair desta porta identificada com um “E”, eu me torno, de alguma maneira, alheia a estes outros espaços que me circundam.
Espaços estes que muitas vezes são perto de mim e de fácil acesso, mas há algo que nos torna incompatíveis. A verdade é que esta minha torre nunca se fecha, está sempre de braços abertos para mais uma hora de trabalho, e o pior é que me deixo levar pelos seus encantos e promessas de um projeto melhor. Como se cada hora a mais lá dentro, definisse o meu valor acadêmico, e ouso dizer pessoal, pois quando se passa tantos fins de semana na FAUP, ela torna-se sua vida inteira.
Vivemos um amor tóxico com nossas torres, é obsessivo, pessoal e bonito. “Nunca haverá romance nesta escola?” Já foi o que habitou nossas paredes; agora, as palavras são outras: “Uma escola a se evitar”. Mesmo que já esteja coberta por camadas de tinta branca, são frases que ecoam em nós, são sentimentos tão fortes que tiveram de transbordar para as paredes.
Em uma realidade fragmentada, em que cada torre corresponde a um ano diferente, mal nos vemos para além do bar e dos churrascos; estamos fadados a ver apenas o nosso umbigo. Posso dizer que meu ano é feito nestas escadas, sacadas e percursos retratados, e sim, abracei esta conveniência, ou o que quer que seja isto, este fragmento que se opõe por enfatizar a especificidade e diferença entre territórios dentro de um inteiro, agindo através da intervenção singular que define relações e ganha significado em grande escala.
Dentro da minha alienação, reflito e assumo a realidade como ela é, aceito as horas de trabalho e o distanciamento de outras, mas recuso-me a me conformar com esta separação interna, esta ocupação sistemática dos espaços da faculdade precisa de uma oposição coletiva, uma identificação de um inteiro, algo interdisciplinar capaz de cruzar interesses pessoais e nos tirar das nossas cavernas (salas) e começar a ocupar os pátios como coletivo, afinal todos nos passamos ou passaremos pela torre E.





